Inovação, tecnologia, conhecimento e qualificação são o mote para a 5ª edição da Mondego Agrícola – Feira das Culturas. A iniciativa arrancou esta quinta-feira, 10 de setembro, no Campo do Sabico, em Montemor-o-Velho, e reúne agricultores, empresas, especialistas, instituições e comunidade educativa para pensar os desafios e o futuro de um setor determinante para a região e para o país.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, reafirmou o compromisso do Município com os agricultores e defendeu uma resposta mais próxima e efetiva aos problemas que enfrentam. Num território que foi particularmente afetado pelas cheias do início do ano, o autarca agradeceu os apoios recebidos, mas apelou a um maior envolvimento do Ministério da Agricultura na resposta às dificuldades do setor.
José Veríssimo recordou ainda que foi há 11 anos, num encontro com o engenheiro Francisco Dias, que começou a ganhar forma a ideia de criar um evento dedicado à agricultura no Baixo Mondego. Hoje, na sua 5ª edição, o Mondego Agrícola afirma-se como espaço de encontro, demonstração e partilha de conhecimento, aproximando quem trabalha a terra de quem desenvolve novas soluções e de uma nova geração de profissionais.
Uma ligação ao futuro que tem na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural do Baixo Mondego (EPDRBM) um dos seus principais pilares. O secretário de Estado da Agricultura, João Moura, apontou a escola como exemplo de resiliência, dinamismo e capacidade de adaptação, destacando a importância de preparar os jovens para uma agricultura cada vez mais tecnológica e qualificada. Perante o aumento dos custos de produção, as alterações climáticas e a concorrência internacional, o governante sublinhou a necessidade de continuar a investir na inovação para reforçar a competitividade e o rendimento dos agricultores.
É também nesse caminho que a EPDRBM tem vindo a reforçar a formação em áreas como a agricultura de precisão, a simulação, a hidroponia e a transformação alimentar. Vasco Martins, presidente da Associação Diogo de Azambuja (ADA) e vereador da Câmara Municipal, destacou a aposta numa formação ajustada às novas exigências do setor, capaz de aumentar a empregabilidade dos jovens sem perder a ligação à terra e ao conhecimento transmitido entre gerações. Alertou, contudo, para o peso dos custos de produção e da burocracia na atividade agrícola.
A importância da formação e da renovação geracional foi igualmente sublinhada pelo presidente da Cooperativa Agrícola do Concelho de Montemor-o-Velho, Carlos Plácido, enquanto o presidente da CCDR Centro, Ribau Esteves, enquadrou as novas competências da instituição e o trabalho que está a ser desenvolvido na articulação de políticas, otimização de recursos e reorganização da oferta do ensino profissional.
Até amanhã, o Mondego Agrícola leva estes desafios do debate para o terreno. Depois do painel “Inovar para alimentar: Agricultura Regenerativa e Tecnologias de Precisão ao Serviço da Segurança Alimentar”, realizado esta quinta-feira, o programa prossegue, dia 11, às 11h30, com o debate “PAC pós-2027 e a Evolução dos Mercados dos Cereais”.
Nos 20 hectares do recinto, cerca de meia centena de expositores dão a conhecer culturas, equipamentos e novas soluções para o setor. Ensaios de arroz, milho e batata, demonstrações de máquinas agrícolas, energias renováveis, eficiência energética e tecnologias sustentáveis mostram, na prática, como a inovação está a transformar a agricultura. Em cada um dos dias, o programa termina às 18h00 com uma marcha de tratores e alfaias.
Organizada pela EPDRBM, em parceria com o Município de Montemor-o-Velho, a CCDR Centro, a Cooperativa Agrícola do Concelho de Montemor-o-Velho e a Associação Diogo de Azambuja, entidade gestora da escola, o Mondego Agrícola volta a promover a partilha de conhecimento e soluções para uma agricultura e um território mais sustentável e competitivos.